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JOÃO DE FERRO (Irmãos Grimm)

  • 11 de nov. de 2019
  • 3 min de leitura

Atualizado: 31 de mar.

João de Ferro simboliza o homem selvagem e primitivo que recalcamos no inconsciente.



“Os caçadores do rei desaparecem um a um quando se aventuram em uma parte muito afastada da floresta. Os desaparecimentos permanecem misteriosos. Um dia, um jovem se apresenta na corte do rei, em busca de emprego. Explicam-lhe o dilema. O jovem herói decide, então, partir, apenas com seu cachorro, a fim de descobrir a verdade sobre os desaparecimentos.


No momento em que ele passa perto de um tanque, uma mão surge, agarra seu cachorro e carrega-o para as profundezas. O caçador não pode conformar-se com tal perda: faz os servidores do rei esvaziarem o tanque com a ajuda de baldes. Bem no fundo, ele descobre um homem imenso, com ar selvagem e primitivo. Seus cabelos vão até os pés. Devido a sua cor “ferrugem”, ele é apelidado “João de Ferro”.

O rei recompensa o jovem caçador e manda colocar João de Ferro numa jaula, que instala num pátio interno do castelo. Alguns dias mais tarde, o filho do rei, de oito anos, perde sua bola dourada quando brincava; a bola rola até a jaula do homem selvagem. É claro que João de Ferro se recusa a devolver a bola ao menino e lhe propõe uma troca: ele devolverá à criança seu brinquedo predileto, com a condição de que a criança lhe traga a chave da jaula.


Mas onde está a chave? João de Ferro diz ao filho do rei que ela está “sob o travesseiro de sua mãe”! O menino aproveita-se da ausência de seus pais para roubar a chave. Liberta João de Ferro. Que se prepara para voltar na mesma hora para a floresta. Temendo ser punido pelos pais, a criança suplica que João de Ferro o leve com ele. O homem selvagem aceita, mas previne o menino: “Tu não reverás nunca mais teus pais!” Depois coloca-o nos ombros e os dois desaparecem na floresta.”


O HOMEM PRIMITIVO DORME SOB O TRAVESSEIRO DA MÃE (interpretação Robert Bly)


João de Ferro simboliza o homem selvagem e primitivo que recalcamos no inconsciente. É. Aliás, a razão pela qual o descobrimos no fundo de um tanque, num lugar pouco frequentado da floresta. Seus cabelos, como os de Sansão, representam a força vital e instintiva, aquela que está em vida civilizada do reino não tem lugar para esse ser masculino das profundezas e o coloca numa jaula.

A bola dourada do filho do rei representa a personalidade em desenvolvimento, potencialmente redonda e plena. Mas, papa poder tornar-se global, a personalidade do menino deve entrar em contato com a energia primitiva. Eis por que a bola dourada rola até a jaula de João de Ferro.

A chave da jaula oculta sob o travesseiro da mãe é, sem dúvida, o detalhe mais notável do conto. A masculinidade instintiva do filho é controlada pela mãe! É sem dúvida o que acontece quando o pai não encontra melhor solução para seu próprio problema do que colocar o homem selvagem na jaula.

Finalmente, quando o jovem decide partir com João de Ferro, abandona para sempre o mundo familiar. João de Ferro o iniciará em sua força vital para que ele não seja nunca mais um filhinho da mamãe, nem um filhinho do papai.


Texto retirado do livro “Pai ausente, filho carente” - Guy Corneau. Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização escrita do autor.

 
 
 

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