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A DUPLA FACE DA ANSIEDADE

  • 13 de ago. de 2019
  • 3 min de leitura

Atualizado: 22 de jun. de 2022

A ansiedade em si não é doença, mas uma resposta natural do corpo e da mente diante do perigo.

A palavra ansiedade tem origem milenar, situa-se antes do grego antigo e do latim, sua raiz é o termo egípcio Ankh – nome do sopro da vida, a primeira tomada de ar do bebê na hora do nascimento. Isso significa que desde a mais remota antiguidade, ansiedade é um nome para reações afetivas associadas à respiração ou à sensação de falta de ar. Indica uma experiência inerente à condição humana – resposta do ser que se pressente vulnerável, finito e falível num mundo muitas vezes hostil e caótico. Nos dicionários não técnicos, é sinônimo de aflição, angústia, perturbação do espírito causada por incertezas, conflitos e apreensões. Mais que sintoma inseparável dos distúrbios psiquiátricos, é experiência radical de seres humanos que se reconhecem frágeis e indefesos dentro do mundo.


A ansiedade em si não é doença, mas uma resposta natural do corpo e da mente diante do perigo. Pode ser entendida como alarme automático que dispara quando nos sentimos ameaçados ou submetidos a situações estressantes. Ela mantém o corpo em alerta – mais tenso e pronto para atacar ou fugir, caso o evento ameaçador se concretize. Se o perigo desaparece, esse sistema é desligado. Normalmente, ficamos ansiosos em circunstâncias desafiadoras: uma entrevista de trabalho, um exame difícil, uma intervenção cirúrgica, um encontro às cegas. Esta face da ansiedade implica desenvolvimento da capacidade de adaptação, dos sentimentos de adequação e da autoestima. Em níveis moderados, nossas apreensões nos auxiliam a ficar alertas e focados, estimulam a busca de uma ação adequada e competente para solucionar problemas e conflitos. O mesmo não acontece nos casos de ansiedade constante e exagerada, opressiva, desorganizadora do comportamento e do pensamento. Nestas condições, ultrapassamos a fronteira da normalidade e entramos no terreno dos distúrbios de ansiedade, prejudiciais aos relacionamentos e ao bom desempenho profissional.


A cada instante, uma em cada quatro pessoas no mundo sofre ataques de ansiedade: sua mente é invadida por medos inexplicáveis ou preocupações obsessivas com acontecimentos catastróficos. O sentimento avassalador é projetado para o futuro, o estado de alerta é constante, sempre envolvendo comoções causadoras de sofrimento. As crises quase sempre acarretam aperto no peito e confusão mental, tonturas e tremores, náuseas e dificuldade para respirar. Há diferentes quadros de transtorno da ansiedade, um dos mais conhecidos é descrito como ataque de pânico. São episódios repentinos de medo intenso. Às vezes, há um evento disparador óbvio, como ficar preso no elevador ou pensar no discurso importante que precisa ser escrito, mas em ambos os casos, as crises são tão repentinas que parecem vir do nada. Geralmente, atingem o ponto máximo em dez minutos e raramente duram mais que trinta minutos. Apesar de breve, a experiência é descrita como avassaladora e degradante. O terror pode ser tão severo que a pessoa presume estar morrendo ou prestes a perder todo controle. Os sintomas físicos são aterrorizantes, sugerem falência cardíaca. Ao se recuperar, os pacientes receiam sofrer outro episódio semelhante, particularmente em local público onde o socorro não é acessível ou de onde não podem escapar facilmente. Esta face sombria da ansiedade exige cuidados especiais. O tratamento dos transtornos da ansiedade varia de acordo com as manifestações especificas e a intensidade da enfermidade. Nos casos mais leves, acompanhamento médico e psicoterapia são eficientes para modificar em pouco tempo padrões de pensamento inadequados ao manejo da ansiedade perturbadora.


Publicado por Fabiano Kruth - Psicanalista.

Autora Marisa Moura Verdade é Mestre em Educação Ambiental, Doutora em Psicologia, especializada em Psico-Oncologia, pesquisadora do Laboratório de Psicologia Social da Religião do IP-USP. Autora do livro Ecologia Mental da Morte. A troca simbólica da alma com a morte. (Editora Casa do Psicólogo & FAPESP. 2006).

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