PAIS DE PREMATUROS
- 13 de ago. de 2019
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Atualizado: 31 de mar.
Talvez a grande lição para os pais de prematuros seja... simplesmente... aprender a amar.

É claro que a ruptura cronológica de um nascimento prematuro insere um divisor no caminho natural idealizado pelos pais. Desde o início, do exame de gestação positiva à cada ultrassom, passo a passo, com toda a atenção e dedicação para que um momento tão especial, único, aconteça sob a naturalidade da vida, e de repente, se vê rasgado o caminho de todas as expectativas. Sua gestação acabou.
As atenções migraram, do chá de fraldas, lembrancinhas, visitas na maternidade e mimos para, a força, a fé, a dor, o amor e a sobrevivência. Tudo ao mesmo tempo, sem preparação ou ensaio, a vida aparentemente frágil surge aos olhos dos pais inundando nossas almas com a prematuridade. Simples assim, não somos donos do tempo, não controlamos a vida e as coisas não acontecem exatamente conforme nossa vontade. Ser pai ou mãe tornou-se uma questão em aberto.
Não focarei na experiência da dor, da aceitação, do amadurecimento de cada um, você encontra ou encontrará está relação dentro de si, com a vida. O que posso dizer é que estes prematuros são admiráveis, que força, que poder, lindo de ver! No rain, no flowers!
O ponto que quero levantar é sobre a necessidade desta experiência: Por que nasce um bebê prematuro? O que a vida quer de nós? Penso que esta criança precisava ser vista para existir. Uma barriga linda, lisa e redonda agora expõe seu filho prematuro, aflito e carente. A luta entre a vida e a morte provoca e potencializa o desejo de ter um filho, agora descoberto. A luta se trava, convoca você a se posicionar. A prematuridade do seu filho joga na cara a sua própria prematuridade. Chegou a hora de crescer, de ser. Não se trata mais do romantismo da gestação ideal.
Talvez a grande lição para os pais de prematuros seja... simplesmente... aprender a amar.
Trishna é um conceito budista, diz respeito à insaciabilidade dos desejos humanos, insaciabilidade esta que é o motivo principal do sofrimento humano. Podemos entender que a vida acontece como tem que ser e não cabe a nós julgar.
Autor Fabiano Verdade, Psicólogo, especializado em Psicologia Analítica. Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização escrita do autor.



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