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PAIS DE PREMATUROS

  • 13 de ago. de 2019
  • 2 min de leitura

Atualizado: 22 de jun. de 2022

Talvez a grande lição da vida para os pais de prematuros seja...simplesmente...aprender a amar.

Somos todos prematuros até não sê-lo. É claro que a ruptura cronológica de um nascimento insere um divisor bruto no caminho natural idealizado pelos pais. Desde o início, do exame de gestação positiva à cada ultrassom, passo a passo, com toda a atenção e dedicação para que um momento tão especial, único, aconteça sob a naturalidade da vida, e de repente, se vê rasgado o caminho de todas expectativas com crueldade. Sua gestação acaba aqui.

As atenções migraram do chá de fraldas, lembrancinhas, álbum de fotos, visitas na maternidade e mimos para a sobrevivência, a força e a fé, a dor e o amor. Tudo ao mesmo tempo, sem preparação ou ensaio, a vida aparentemente frágil surge aos olhos dos pais inundando nossas almas com a prematuridade. Simples assim, não somos donos do tempo, não controlamos a vida e as coisas não acontecem conforme nossa vontade. Ser pai ou mãe tornou-se uma questão em aberto.

Não vou focar na experiência da dor, da aceitação, do caminho de amadurecimento de cada um - pulemos esta parte - você encontra ou encontrará dentro de si esta relação com a vida, seu pesar, seu respeito, suas escolhas e aprendizado. O que posso dizer é que estes prematuros são danados, que força, que poder! Lindo de ver.

O ponto que quero levantar é sobre a necessidade desta experiência: Por que nasce um bebê prematuro? O que a vida quer de nós? Penso que esta criança precisava ser vista para existir. Uma barriga linda, lisa e redonda agora expõe seu filho prematuro, aflito e carente. A luta entre a vida e a morte provoca e potencializa o desejo de ter um filho, agora descoberto. A luta se trava, convoca você a se posicionar. A prematuridade do seu filho joga na cara a sua própria prematuridade. Chegou a hora de crescer, de ser. Não se trata mais do romantismo da gestação ideal.

Talvez a grande lição da vida para os pais de prematuros seja...simplesmente...aprender a amar.


Trishna é um conceito budista, diz respeito à insaciabilidade dos desejos humanos, insaciabilidade esta que é o motivo principal do sofrimento humano. (Wikipedia) Podemos entender que a vida acontece como tem que ser e não cabe a nós julgar.


Autor Fabiano Kruth, Psicanalista, formado em Comunicação Social, especializado em Psicologia Analítica. Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização escrita do autor.

 
 
 

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